quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FIV: Vírus da Imunodeficiência Felina



Por Fabio Rinaldi



Também conhecida como a “AIDS dos Gatos”, a Imunodeficiência Felina é muitas vezes diagnosticada tardiamente. Embora a sua transmissão não seja fácil constitui um risco real para os felinos domésticos e pode comprometer seriamente a sua qualidade de vida.

O Vírus
A imunodeficiência resultante da infecção pelo FIV (Feline Immunodeficiency Virus) em gatos é muito semelhante à causada pelo HIV em humanos, pelo que esta doença tem frequentemente servido como modelo de estudo para a AIDS. Embora sejam vírus semelhantes, diversos estudos comprovaram que o FIV não se transmite às pessoas e que o seu impacto em Saúde Pública é nulo. O FIV tal como o HIV, pertence à família dos Lentivírus (vírus com um período de incubação longo) e subfamília dos Retrovírus.

O FIV já foi encontrado em colónias de gatos domésticos em todo o mundo e está bem estabelecido nalgumas há mais de 25 anos.

Transmissão
O FIV é transmitido de forma eficiente através das feridas resultantes de dentadas, já que existe na saliva de gatos portadores. Por isso, os machos inteiros e agressivos têm muito mais propensão a contrair este vírus do que as fêmeas. Também os gatos de rua, em condições de vida deficientes, estão mais expostos do que os gatos que vivem em casa: as lutas territoriais na defesa de comida e possíveis cruzamentos são a principal via de disseminação do vírus.

A transmissão por via transplacentária ou através do colostro, de mães para filhos, é pouco frequente. Aparentemente a transmissão ao feto por estas vias é mais eficiente quando a mãe é infectada durante a gestação ou lactação e os recém nascidos são infectados ao passar pelo canal do parto ou ao ingerir leite infectado. O contacto sexual entre machos e fêmeas parece não ser uma via eficiente de transmissão.

O contacto casual e não agressivo entre felinos também parece não ser suficiente para que haja contágio. Dois gatos que convivam na mesma casa, em perfeito estado hígido e devidamente alimentados, bem como castrados, dificilmente transmitirão o vírus de um para o outro.

Desenvolvimento da Doença e Sinais Clínicos
Os gatos infectados podem aparentar ser sãos durante anos. No entanto quando infectados pelo FIV, a imunodeficiência gerada impede que tenham capacidade de se defender contra microrganismos existentes no meio ambiente, que são normalmente inócuos quando o sistema imunitário é funcional, como bactérias, fungos ou protozoários. Estas infecções secundárias são muitas vezes responsáveis pelas doenças características dos felinos FIV-positivos.

Os níveis de anticorpos atingem o seu máximo algumas semanas após a infecção e permanecem altos durante meses ou até anos. As células do sistema imunitário desempenham um papel muito importante no controlo da replicação do vírus, especialmente durante o período assintomático.

O FIV foi isolado de fluído cerebroespinal e de várias regiões do córtex cerebral. Gatos infectados com FIV demonstram diversos distúrbios a nível do Sistema Nervoso Central, como resposta pupilar retardada, potencial de resposta a sons e imagens diminuído, reflexos diminuídos e distúrbios de sono.

No principio da infecção o vírus é transportado para os linfonodos mais próximos do local de entrada, normalmente uma ferida provocada pela dentada de outro gato, onde se multiplica, dentro de células de defesa existentes no sangue – os linfócitos. A partir daqui a infecção generaliza-se a todos os linfonodos do corpo por via sanguínea, ficando estes aumentados de tamanho, normalmente de forma temporária. Este processo pode ser acompanhado de um estado febril. Esta primeira fase de infecção pelo FIV pode passar despercebida aos donos, a não ser que os linfonodos aumentem muito de tamanho. Posteriormente o vírus costuma ficar latente sendo imprevisível quando vai revelar-se a doença. Quando isso acontece, qualquer parte do corpo pode ser afectada:

- Mau estado do pêlo e febre persistente com perda de apetite é um quadro frequente.

- Os sinais clínicos mais comuns em gatos infectados com FIV afectam a região da boca e são eles gengivite (inflamação das gengivas), estomatite (inflamação geral da cavidade bucal) e periodontite (inflamação dos tecidos que fixam o dente ao respectivo alvéolo).

- Infeccções crónicas ou recorrentes da pele, ouvidos e bexiga.

- Doenças crónicas no trato respiratório superior ocorrem em cerca de 30% dos casos e diarreia crónica pode aparecer em 10 a 20% dos gatos infectados.

- As doenças oftálmicas mais frequentes em gatos FIV-positivos incluem uveíte e glaucoma.

O estado de saúde de um gato FIV-positivo pode deteriorar-se progressivamente ou, pelo contrário, alternarem-se períodos de doença com períodos de relativo bem-estar.

Embora o FIV seja conhecido principalmente por causar imunodeficiência é importante reconhecer que também pode afectar o Sistema Nervoso Central pelo que qualquer gato que apresente sintomas relacionados, como tremores ou alterações de comportamento, deve ser suspeito de FIV.

Estatisticamente os gatos com FIV têm 5 vezes mais probabilidade de desenvolver leucemias e linfomas do que gatos não infectados.

Prevenção
A prevenção de exposição dos nossos gatos a gatos infectados é o único método válido para impedir a dispersão do vírus. Não devem andar soltos nem interagir com gatos de rua. Se possível, após serem recolhidos, devem permanecer 8 a 12 semanas de quarentena antes de se juntarem a outros sãos, de forma a que aqueles que foram infectados recentemente tenham tempo de desenvolver níveis de anticorpos que sejam detectados pelo testes.

Já existem vacinas disponíveis mas a sua eficácia não é de 100%, ou seja, nem todos os gatos vacinados estão protegidos contra a doença.

Diagnóstico
O diagnóstico de Imunodeficiência Felina depende da detecção de anticorpos específicos no sangue do animal. Existem testes rápidos que podem ser usados em clínicas veterinárias e que apenas implicam a recolha de uma gota de sangue. Como podem ocorrer falsos positivos está indicado, neste caso, proceder-se ao envio de sangue para laboratório para confirmação de resultados.

As mães infectadas com FIV podem transmitir anticorpos à descendência durante o aleitamento. Estes gatinhos, quando testados, vão ter resultados positivos durante vários meses após o desmame. Poucos vão, no entanto, desenvolver a infecção. Assim, gatinhos com menos de 6 meses cujos testes se revelem positivos devem repeti-los de 60 em 60 dias até àquela idade para confirmar a sua positividade.

Quando os resultados são negativos o gato não está normalmente infectado. No entanto são necessárias 8 a 12 semanas após a infecção para que o nível de anticorpos seja suficientemente alto para se revelar nos testes. Por este motivo, gatos que possam ter estado expostos ao vírus devem ser mantidos em quarentena cerca de 60 dias antes de se juntarem a outros sãos com os quais possam ter desavenças, de modo a que o resultado dos testes seja fidedigno.

Muito raramente, gatos nos últimos estadios da doença podem ter testes negativos, se o seu sistema imunitário estiver tão debilitado que já não tenha capacidade de produzir anticorpos.

Tratamento
Não existe tratamento antiviral para gatos infectados com FIV. Podem ser usados medicamentos antivirais em baixa dosagem para aumentar a taxa de sobrevivência. Neste caso, o melhor é a prevenção.

O que fazer ao descobrir que o seu gato tem FIV?
Caso tenha outros gatos estes devem também ser submetidos ao teste.

Os gatos FIV-positivos devem ser mantidos em casa para que não haja possibilidade de transmitirem a doença a outros. Para que não se envolvam em lutas territoriais, o mais seguro será castrá-los.

A alimentação deve ser boa e os alimentos crús evitados já que são mais facilmente portadores de bactérias e parasitas.

Deve estabelecer um calendário de consultas regulares com o seu veterinário: em caso de bom estado de saúde estas não devem ultrapassar os 6 meses de intervalo para uma avaliação geral. Se ocorrer alguma alteração o veterinário deve ser avisado de imediato.

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